Mostrando postagens com marcador Soaroir. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Soaroir. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de junho de 2013

Gritos do Paraiso

Soaroir
25/01/2006


Reedição

É possível que as primeiras calçadas, como as que conhecemos hoje, tenham surgido juntamente com o sistema de pavimentação criado nos idos de 1800, pelo engenheiro escocês Thomas Telford.

O fato é que todas têm abordagens diferentes e nem sempre concordam inteiramente quanto às suas valias. Apesar de haver muita resistência, a maioria ainda acredita que sua serventia é a de ser “sidewalk” um caminho pavimentado para pedestres e que se estende ao longo das ruas.

Reunidas no talude e cercadas de bastante verde ao redor, com recipientes para detritos intactos e jardins bem cuidados, estavam as calçadas da rua Manoel da Nóbrega e algumas ruas transversais que discutiam e decidiam suas intenções, reclamações e queixas. Aliás, as calçadas mais esfarrapadas, entre elas as que ficam entre a mais paulista das avenidas e a mais emporcalhada das alamedas, praguejavam e planejavam algum ato de protesto quando foram interrompidas pela Dr. Carlos Sampaio que pediu um pouco de ordem.

A Cel.Oscar Porto, como sempre esfregando continuamente as solas, pigarreou como para ser ouvida e, ainda tentando fazer desaparecer todo aquele fedor misto de urina e creolina logo sugeriu uma CPI. Nesse meio tempo chega a esbaforida Chris Tronbjerg que foi logo reclamando do monte de resto de assaltos, dos barulhos das trombadas e atropelamentos logo ali na Brigadeiro, lixo e tudo mais. As demais que já não a suportam muito por ser a rua mais recente da redondeza, a mais curta e que além de ter nome que não é de brasileira é exatamente dela que vem aquele horrível cheiro de gordura de pastel e peixe todo o sábado logo de manhã, deram uns muxoxos e voltaram ao assunto da CPI. Inicialmente decidiram por Caçambas e outras Porcarias Indesejáveis. Mas a Chris não se agüentou, interrompeu e deu a resposta que antes não lhe deram a chance. Com cara de coitada retrucou e até se gabou um pouco de ser a única que tinha carro da polícia no jornaleiro, antes das minas e dos manos chegarem. Isso sem contar que aquele pastel enche bucho de muita gente por ali, concluiu a Chris. A platéia ficou dividida, meio pensativa como que analisando aqueles fatos que tinham sido narrados. O tempo estava correndo, mas ruas e calçadas que se prezam não podem se dar ao desfrute de divagar. The show must go on. Convocaram a Santos que até aquele momento pouco dissera. Ela parecia tristonha e até meio encabulada já que não fazia parte daquele bloco, no entanto tomou fôlego e discorreu com brilhantismo sobre todos aqueles ônibus dos hotéis estacionados, caminhões circulando constantemente, buracos, restaurantes e tudo o mais que por ela já havia passado. Não estava nada animada, principalmente quando recordou os velhos tempos em que, com a sua parceira Paulista, via gente bonita e cheirosa no lugar dos cocôs de cachorro e lixos de hoje. Sentia-se realmente desprezada. Arrasada. Foi deixada um pouco de lado assim que a Brig. Luiz Antonio esticou o pescoço mas, como uma enxurrada, desabou.

Aquela reunião não incluía avenidas tampouco alamedas, mas sendo a maioria ali reunida calçadas ilustres que muito conviveram com célebres transeuntes, sabiam como tratar penetras.

A temática da reunião incluía desleixo, buracos, cocô de cachorro e a falta de regulamentação para recuo e estilo das calçadas. Primeiramente queriam entender a razão pela qual havia uma distinta discriminação e preconceito para com as calçadas da ladeira para cima. Estavam realmente intrigadas. Só para as calçadas da ladeira para baixo havia limpeza, cuidados e até um certo carinho dos canteiros e, conseqüentemente, pássaros. Lá existiam lixeiras, árvores que não cobriam as luminárias e quase nenhum adesivo nos postes. Tampouco cocô de cachorro se via por lá. Embora cada calçada fosse de padrão diverso, estavam todas bem conservadas, limpas, em boa forma. Exatamente o oposto das demais.

Realmente havia uma contestação de tendências entre as calçadas da ladeira para cima e as da ladeira para baixo. Era um quadro de emoções quase líricas e vivencial que foi quebrado somente quando a Teixeira da Silva elogiou os pavões que pupilam entre a noite que vai e o dia que chega, lá pelos lados da Mário Amaral, a qual igualmente a Tutóia, não compareceu a reunião.

As calçadas da Manoel da Nóbrega, entre Oscar Porto e Av. Paulista, com um certo ar de enfado, mencionaram com displicência e desilusão o peso insuportável dos prédios que ficam cada vez mais altos. Arrematando, relataram indignadas o que era suportar, sem qualquer controle, todas aquelas caçambas, estacionamentos Zona Azul e o desatino das cadeiras espalhadas por lá nas sextas-feiras. Nem esqueceram do brechó com a Al.Santos.

Lá pelas tantas, após se cotizarem para ajudar as calçadas da ladeira para cima, recriminando veementemente todas as cadeiras nas calçadas que juntamente com vasos de plantas e postes de telefone não deixavam espaço para o pedestre, todas as calçadas, inclusive as das ruas arrabalde, decidiram enviar um e-mail para: cachorros & calcadas.br solicitando apoio para a realização daquela CPI por quarteirão, a fim de promover a adequada preservação de suas existências e a não transformação do espaço em taperas. Termos que assinaram: Os Behavioristas da Rua Manoel da Nóbrega e até pediram deferimento, o que concluímos serem seus gritos de alarme dignos de credibilidade e consideração.


(original: Calçadas da Rua Manoel da Nóbrega)


DE CAMPOS, SOAROIR


Soaroir
Publicado no Recanto das Letras em 01/08/2006
Código do texto: T206862

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Coversa no Parnaso

Com versando

Soaroir Maria de Campos – Dez 23/2006
 
(Conversa no Parnaso)
Dialogismo
I
Poesia é rainha, majestade que não faz acordos,
Tem olhos feitos pra ver ninguém.
Anda engraçado quando está feliz,
cabisbaixa se insurge-se miserágil*.
De sua boca pouco sai se perguntado.
Não a faz comum a figura que tem:
dois olhos, coração, ouvido e um nariz.
Não é banal nem moça à-toa,
mas é fácil de reconhecê-la:
mais alumiada antes do arrebol,
acena no canto tudo o que sente.
Sem bandeiras ou pátria se assenta.
Tratados, tempo ou antiga ciência
lhe importam quando ela se acrava.
Engolfa-se sem presunção e aporta,
suporta, encoraja e muito empreita.
Chega, agita seu lenço sem arte.
com luva esquerda na mão direita,
desterra ouro até em escória que dormita.
Pouco bem recebida, novas, ela porta
histórias até bem vividas.
Resume sonhos em trovas
sem padrão, verseja vidas.
A esta poesia sem feição,
que de muitos verseja as vidas
sucumbi a (sua) preleção...

II

- Como vou reconhece-la, Poesia?
Com dois olhos, testa uma boca e um nariz?
Não vejo qualquer distinção!
- Se consigo te agradar, então sou poesia.
- E as lições e tratados; e, de Dionísio, a filosofia?
- Não duvides do que eu digo:
nada aqui é fantasia!
- Se odeio, sem rima afadigo;
se amo, com métrica me execro.
É isso que é poetar?
- Só cai o que nasce para baixo.
Poesias germinam no ar.

-Mas e a musa de outrora, de antiga rama,
é este um outro valor que se alevanta?
Nesta verve meu sangue ainda é lusitano,
brada a fama das vitórias que rimaram,
aroma que esta alma, ainda minha,
verte no sabor daquelas vinhas...

- Cessem, do sábio Grego e dos Troianos,
ádvenas ou vultos grandes que fizeram;
foram-se Alexandres e Trajanos,
romançarias com vitórias que tiveram.
Outro mais alto valor me alimenta
nas fadigas que neste tempo vos verberam.
Hoje sou uma outra poesia que as sustenta

Soaroir Maria de Campos – Dez 23/2006


Sabiamente revisado por:
Paulo Camelo e Obed de Faria Jr

terça-feira, 13 de março de 2012

Empregos na Terceira Idade

Copyright Soaroir



“Liderança e Motivação”

Para liderança, entre outros sinônimos, escolho “comandar”. E acrescento que, do meu ponto de vista, só possa ser assumido por um indivíduo com conhecimento adquirido pela prática e o estudo.
Tomo emprestado a introdução da professora Irene Azevedo¹ para falar dos profissionais  de terceira idade  que,  por necessidade financeira ou psicológica, necessitam voltar ao mercado de trabalho: Vivemos num mundo de mudanças constantes e, sem percebermos, nossa mente acostumada ao ritmo do dia a dia, (...).  Embora sobre assunto paralelo, este introito  bem se aplica a uma constatação que pouco ou nada existe a respeito.

Muito bem. Tenho mais de 20 anos de experiência como secretária executiva bilíngue – inglês/português e, apesar dos convenientes artigos promocionais de que esteja chovendo emprego, e isto digo com conhecimento de causa, para o velho não funciona. O máximo que se consegue é, nas redes de postos de atendimento direcionado a trabalhadores que buscam inserção no mercado de trabalho, sermos encaminhados para agências de emprego, engodo que ainda não consigo entender o objetivo.

Convenhamos. Que empresa apostaria em uma ex-executiva de 64 anos, aposentada e há muito fora da sua área; que para sobreviver aceita posições bem menos complexas e com salários  ínfimos?

Que credibilidade se pode passar para os “embofiosos” recém-formados executivos? Que plano de carreira podem esperar de nós que só queremos continuar existindo?

De certo os tempos mudaram. Executivos caem as pencas no mercado de trabalho infestado de “MBAs” “Harvard,s” e similares que oferecem ao sangue novo a motivação e consequente liderança. E nós?  E nós?
Só nos resta a vã experiência.

(sem revisão)

Soaroir de Campos
São Paulo, SP
13 de Março/2012
http://socronicas.blogspot.com/

¹ Irene Azevedo é professora de Gestão de Pessoas da BBS Business School e diretora de Negócios da LHH|DBM
http://www.empregoecarreira.com/mudar-e-preciso#idc-container

sábado, 22 de outubro de 2011

A Mulher de Lata
Copyright Soaroir


imagem/GildoCarvalho

O cachorro me acordou as cinco. Providencial já que coincide com a hora que devo engolir “ciprofloxacino” para combater um ataque de mau imunodepressor,entre outros, segundo o Google, porque remédio da rede publica não vem com bula e as informações impressas no verso da cartela metálica não se consegue ler, o que de certa forma é uma benção. A última bula que li trazia 1% de indicação e 99% de possíveis efeitos colaterais.

Não dá para voltar para a cama embora estejamos no horário de Verão fato que o cachorro desconhece e insiste em querer descer, mas eu ainda que toscanejando aproveito o silêncio para dar ouvidos ao que repentinamente, como vazamento de um dique, goteja pelas brechas do meu inconsciente enchendo minha moringa e então me rendo a análise das injúrias, das injustiças e das maldades que me intoxicaram juntamente com a tentativa de esquecê-las; me debilitaram ao me acumpliciar com elas quando outorguei perdão sem nada assinar.

(sic) Esquecer ofensas depende da nossa memória.

Continuo mais tarde.

Acabo de me lembrar que preciso descer com o cachorro que não conhece a maldade , perdoa, mas jamais esquece os maus tratos.

Vamos Chuko, vamos mijar no mundo...

Sem revisão 22/10/11

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fala Sério

Ficar velho é um porre
por: Soaroir de Campos
Out. 28/10/10


imagem/google



mas hoje não tomarei cerveja, vodca, vinho. Uísque nem se fala. Não que eu tenha perdido a razão, ou o gosto pelo prazer de me embriagar, com parcimônia, e fazer de conta que sou isso e aquilo com meu salário mais que suficiente para viver condignamente no meu País tropical sem vulcões, terremotos e epidemias erradicadas.

Sabe aquele molho de pimenta, aquela pimenta contida na mortadela, na lingüiça portuguesa? Esquece. Os esfíncters já se rebelam contra ela; as bactérias, antes partes integrantes do meu próprio ser, se revoltam e me atacam sem aviso prévio. A mais recente, no meu caso, tem sido a E. coli


(descrição
sintomas
e reações
da e coli, etc.
fale com um Médico)

que  por mais que eu a ameace com os apontamentos/pesquisas dos meus filhos cientistas – um integrante do Laboratory of Molecular Biology-UK e o outro químico da USP –  ela não arreda pé. Disfarça por uns tempos, mas logo que esquecemos dela lá está de volta causando dor e sangramento ao urinar, por exemplo.

Fui objeto de pesquisa e depois de muitos e muitos resultados de  urina negativo, a  Dra. Kátia, do  [...] Medical Research – HC-FMUSP, conseguiu a resposta: E. coli. Após antibiogramas atropelamos essa praga residente, que a gente não se dá conta, mas é nossa hóspede, mas que de uma hora para outra resolve assumir o controle da hospedaria.

Esta “praga” precisa ser melhor esclarecida e combatida – nem que seja no “House M.D.”.


(texto para Anna " Depressão e Poesia")